Guia Prático de Zero Trust: o que é, como funciona e como implementar

Entenda o modelo de segurança Zero Trust e como ele reduz ataques, movimento lateral e ransomware

Guia Prático de Zero Trust: o que é, como funciona e como implementar
Arquitetura de segurança Zero Trust com verificação contínua de usuários e dispositivos (Imagem: Jeferson Ferreira/TecMod+)

As notificações disparam. O painel da VPN mostra tudo “verde”, mas o SIEM revela o problema real: logins impossíveis, reutilização de tokens e escalonamento de privilégios acontecendo em tempo real. Você encerra sessões, mas o movimento lateral já começou.

Esse é o ponto exato onde a segurança baseada em perímetro falha. Firewalls e VPNs não foram projetados para ambientes híbridos, trabalho remoto e infraestruturas em nuvem. É nesse cenário que o modelo de segurança Zero Trust se torna essencial.

Neste guia completo, você vai entender o que é Zero Trust, como funciona a arquitetura Zero Trust e como implementar o modelo de forma prática, reduzindo riscos, ataques e impactos de ransomware.

O que é Zero Trust?

O Zero Trust é um modelo de segurança cibernética que parte de um princípio simples e direto: não confie em nada por padrão, verifique tudo continuamente.

Isso significa que usuários, dispositivos, aplicações e cargas de trabalho nunca são considerados confiáveis automaticamente, mesmo quando estão dentro da rede corporativa.

Cada solicitação de acesso deve ser:

  • Autenticada
  • Autorizada
  • Validada continuamente

A arquitetura Zero Trust é formalizada pelo padrão NIST SP 800-207, que define controles técnicos e estratégicos para ambientes locais, em nuvem e híbridos.

Por que a segurança baseada em perímetro não funciona mais

O modelo tradicional pressupõe que tudo dentro da rede é confiável. Esse conceito falha diante de:

  • Trabalho remoto e híbrido
  • Ambientes multinuvem
  • Uso intenso de SaaS
  • Roubo de credenciais
  • Ataques de ransomware e movimento lateral

Uma vez que um invasor obtém acesso inicial, ele pode se mover livremente pela rede. O Zero Trust elimina esse risco ao restringir cada conexão individualmente.

Arquitetura Zero Trust (ZTA) vs Zero Trust Network Access (ZTNA)

É comum confundir os dois conceitos, mas eles têm papéis distintos.

  • Arquitetura Zero Trust (ZTA):
    É o modelo completo de segurança que cobre identidade, dispositivos, redes, aplicações e dados.
  • Zero Trust Network Access (ZTNA):
    É uma aplicação prática da ZTA, focada em substituir VPNs por acesso seguro, por sessão e com menor privilégio.

ZTNA funciona dentro da arquitetura Zero Trust, não de forma isolada.

Comparação entre segurança perimetral tradicional e arquitetura Zero Trust segmentada
Diagrama comparativo entre segurança tradicional baseada em perímetro e arquitetura Zero Trust com microssegmentação (Imagem: Reprodução/Forti Firewall)

Princípios fundamentais da segurança Zero Trust

1. Assuma a violação

O Zero Trust parte do pressuposto de que o atacante já está no ambiente. Isso reduz o impacto de incidentes e limita o raio de explosão.

2. Verificação contínua

Cada acesso é avaliado em tempo real com base em identidade, localização, postura do dispositivo e comportamento.

3. Princípio do menor privilégio

Usuários e sistemas recebem apenas o acesso mínimo necessário, usando práticas como:

  • Just-In-Time (JIT)
  • Just-Enough Access (JEA)

4. Microssegmentação

A rede é dividida em pequenos segmentos isolados, impedindo o movimento lateral de atacantes.

Como implementar Zero Trust: passo a passo prático

A implementação do Zero Trust deve ser feita de forma gradual e estratégica.

Passo 1: Defina a superfície de proteção

Identifique ativos críticos: dados sensíveis, identidades privilegiadas, aplicações essenciais e backups.

Passo 2: Mapeie os fluxos de transação

Entenda como usuários, sistemas e dados se comunicam para evitar bloqueios indevidos.

Passo 3: Crie um inventário de ativos e identidades

Liste usuários, dispositivos, workloads, contas de serviço e aplicações.

Passo 4: Fortaleça a identidade

Implemente MFA resistente a phishing, acesso condicional e federação de identidade.

Passo 5: Verifique a saúde do dispositivo

Permita acesso apenas a dispositivos atualizados, monitorados e em conformidade.

Passo 6: Implemente microssegmentação

Separe ambientes e aplique políticas de menor privilégio entre eles.

Passo 7: Crie políticas claras (Método Kipling)

Quem acessa o quê, quando, onde, por quê e como.

Passo 8: Aplique pontos de controle e monitoramento

Integre PEPs, SIEM e XDR para visibilidade em tempo real.

Passo 9: Automatize políticas

Revogue acessos automaticamente quando o risco mudar.

Passo 10: Teste e melhore continuamente

Realize simulações, auditorias e exercícios de resposta a incidentes.

Zero Trust contra ransomware e proteção de backups

Pesquisas mostram que 96% dos ataques de ransomware tentam comprometer backups. Por isso, Zero Trust também deve ser aplicado à resiliência de dados.

Boas práticas incluem:

  • Regra de backup 3-2-1-1-0
  • Backups imutáveis
  • Segmentação entre produção e armazenamento
  • Múltiplas zonas de segurança

Esses controles garantem recuperação rápida mesmo após um ataque bem-sucedido.

Principais desafios da implementação do Zero Trust

  • Sistemas legados sem suporte a identidade moderna
  • Resistência cultural dos usuários
  • Integração entre múltiplas ferramentas
  • Risco de disrupção operacional sem adoção gradual
  • Custos iniciais e necessidade de patrocínio executivo

A solução é adoção em fases, foco em ativos críticos e comunicação clara com as áreas de negócio.

Conclusão

O Zero Trust substitui a confiança implícita por verificação contínua, reduz o movimento lateral e fortalece a proteção contra ransomware. Quando implementado corretamente, ele oferece mais visibilidade, mais controle e maior resiliência cibernética.

Em um cenário de ameaças cada vez mais sofisticadas, Zero Trust deixou de ser uma opção e se tornou uma necessidade estratégica.

Veja: Acessar o guia oficial do NIST SP 800-207

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