Guerra tecnológica entre China e EUA coloca Nvidia sob acusação

Investigação antimonopólio é vista como resposta direta às restrições comerciais impostas por Washington

Guerra tecnológica entre China e EUA coloca Nvidia sob acusação
Nvidia é alvo de investigação antimonopólio em meio à guerra tecnológica entre China e EUA (Imagem: Jeferson Ferreira/TecMod+)
  • Regulador chinês acusa a Nvidia de violar a lei antimonopólio
  • Investigação ocorre em meio à escalada da guerra tecnológica entre China e EUA
  • Medida é interpretada como resposta às sanções americanas
  • Nvidia enfrenta pressão política e queda nas ações
  • Caso pode acelerar a busca chinesa por chips nacionais

A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos atingiu diretamente a Nvidia, maior fabricante mundial de chips para inteligência artificial. O órgão regulador da concorrência da China anunciou que uma investigação preliminar identificou possíveis violações da legislação antimonopólio por parte da empresa.

O movimento é interpretado por analistas como uma resposta estratégica às restrições comerciais impostas por Washington e reforça o papel dos semicondutores como peça-chave na geopolítica global.

Regulador chinês acusa Nvidia de práticas anticompetitivas

A Administração Estatal para Regulação do Mercado da China (SAMR) informou que concluiu uma análise preliminar apontando irregularidades cometidas pela Nvidia. Embora o órgão não tenha detalhado quais práticas configurariam a infração, confirmou que a investigação segue em andamento.

O anúncio ocorreu no mesmo período em que representantes de China e Estados Unidos negociam em Madri, com os semicondutores no centro das discussões, o que reforça o caráter político da decisão.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o momento do comunicado não foi aleatório, mas calculado para fortalecer a posição chinesa nas negociações bilaterais.

GPUs da Nvidia em data centers e o papel estratégico dos semicondutores na IA.
GPUs da Nvidia em data centers e o papel estratégico dos semicondutores na IA (Imagem: Reprodução/Nvidia)

Resposta às restrições dos EUA

Especialistas avaliam que a investigação da SAMR é uma reação direta à decisão recente do governo americano de ampliar a lista de empresas chinesas sujeitas a restrições comerciais.

De acordo com analistas do setor, a mensagem de Pequim é clara: novas barreiras impostas pelos Estados Unidos terão custos para empresas americanas que operam no mercado chinês.

Essa dinâmica aumenta a pressão sobre o CEO da Nvidia, Jensen Huang, que vem tentando preservar o acesso ao mercado chinês, responsável por cerca de US$ 17 bilhões em receita no último ano fiscal, aproximadamente 13% do faturamento da companhia.

Após o anúncio da investigação, as ações da Nvidia registraram queda no pré-mercado.

Mellanox e compromissos não cumpridos

O regulador chinês também destacou que a Nvidia teria descumprido compromissos assumidos durante a aquisição da Mellanox Technologies, aprovada em 2020. Entre as condições estava a manutenção do fornecimento de aceleradores de GPU ao mercado chinês.

No entanto, as restrições de exportação impostas pelos governos americanos nos últimos anos forçaram a Nvidia a suspender a venda de seus chips mais avançados à China, criando um impasse regulatório e político.

Pela legislação chinesa, empresas consideradas culpadas por práticas antimonopólio podem ser multadas em até 10% do faturamento anual.

Impacto limitado, mas estratégico

Apesar do risco financeiro, analistas avaliam que o impacto direto da investigação pode ser menor do que seu efeito estratégico. O principal objetivo da China seria acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.

Mesmo com as restrições, empresas chinesas como Tencent e ByteDance continuam adquirindo versões adaptadas dos chips da Nvidia, como o H20, desenvolvido para atender às exigências de exportação dos EUA.

O que esperar daqui para frente?

A investigação contra a Nvidia reforça que a guerra tecnológica entre China e Estados Unidos está longe do fim. Mais do que punir empresas específicas, Pequim sinaliza que está disposta a usar instrumentos regulatórios para equilibrar forças na disputa global por liderança em inteligência artificial.

Leia também: Como ser produtivo usando IA em 2026

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