Guerra tecnológica entre China e EUA coloca Nvidia sob acusação
Investigação antimonopólio é vista como resposta direta às restrições comerciais impostas por Washington

- Regulador chinês acusa a Nvidia de violar a lei antimonopólio
- Investigação ocorre em meio à escalada da guerra tecnológica entre China e EUA
- Medida é interpretada como resposta às sanções americanas
- Nvidia enfrenta pressão política e queda nas ações
- Caso pode acelerar a busca chinesa por chips nacionais
A disputa tecnológica entre China e Estados Unidos atingiu diretamente a Nvidia, maior fabricante mundial de chips para inteligência artificial. O órgão regulador da concorrência da China anunciou que uma investigação preliminar identificou possíveis violações da legislação antimonopólio por parte da empresa.
O movimento é interpretado por analistas como uma resposta estratégica às restrições comerciais impostas por Washington e reforça o papel dos semicondutores como peça-chave na geopolítica global.
Regulador chinês acusa Nvidia de práticas anticompetitivas
A Administração Estatal para Regulação do Mercado da China (SAMR) informou que concluiu uma análise preliminar apontando irregularidades cometidas pela Nvidia. Embora o órgão não tenha detalhado quais práticas configurariam a infração, confirmou que a investigação segue em andamento.
O anúncio ocorreu no mesmo período em que representantes de China e Estados Unidos negociam em Madri, com os semicondutores no centro das discussões, o que reforça o caráter político da decisão.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, o momento do comunicado não foi aleatório, mas calculado para fortalecer a posição chinesa nas negociações bilaterais.

Resposta às restrições dos EUA
Especialistas avaliam que a investigação da SAMR é uma reação direta à decisão recente do governo americano de ampliar a lista de empresas chinesas sujeitas a restrições comerciais.
De acordo com analistas do setor, a mensagem de Pequim é clara: novas barreiras impostas pelos Estados Unidos terão custos para empresas americanas que operam no mercado chinês.
Essa dinâmica aumenta a pressão sobre o CEO da Nvidia, Jensen Huang, que vem tentando preservar o acesso ao mercado chinês, responsável por cerca de US$ 17 bilhões em receita no último ano fiscal, aproximadamente 13% do faturamento da companhia.
Após o anúncio da investigação, as ações da Nvidia registraram queda no pré-mercado.
Mellanox e compromissos não cumpridos
O regulador chinês também destacou que a Nvidia teria descumprido compromissos assumidos durante a aquisição da Mellanox Technologies, aprovada em 2020. Entre as condições estava a manutenção do fornecimento de aceleradores de GPU ao mercado chinês.
No entanto, as restrições de exportação impostas pelos governos americanos nos últimos anos forçaram a Nvidia a suspender a venda de seus chips mais avançados à China, criando um impasse regulatório e político.
Pela legislação chinesa, empresas consideradas culpadas por práticas antimonopólio podem ser multadas em até 10% do faturamento anual.
Impacto limitado, mas estratégico
Apesar do risco financeiro, analistas avaliam que o impacto direto da investigação pode ser menor do que seu efeito estratégico. O principal objetivo da China seria acelerar o desenvolvimento de alternativas nacionais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros.
Mesmo com as restrições, empresas chinesas como Tencent e ByteDance continuam adquirindo versões adaptadas dos chips da Nvidia, como o H20, desenvolvido para atender às exigências de exportação dos EUA.
O que esperar daqui para frente?
A investigação contra a Nvidia reforça que a guerra tecnológica entre China e Estados Unidos está longe do fim. Mais do que punir empresas específicas, Pequim sinaliza que está disposta a usar instrumentos regulatórios para equilibrar forças na disputa global por liderança em inteligência artificial.
Leia também: Como ser produtivo usando IA em 2026
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