Huawei consolida ecossistema próprio e reduz dependência do Ocidente
De chips a sistemas operacionais, a empresa chinesa transforma sanções em vantagem estratégica e cria um padrão tecnológico nacional

- A Huawei construiu um ecossistema tecnológico independente após sanções dos EUA
- Chips próprios e o HarmonyOS se tornaram base para produtos além de smartphones
- O OpenHarmony já está presente em mais de 1,2 bilhão de dispositivos
- Empresas como a Midea adotam a tecnologia como padrão industrial
- A estratégia inclui mobile, IoT, indústria e agora computadores pessoais
As sanções impostas pelos Estados Unidos à Huawei, iniciadas em 2019, tinham um objetivo claro: limitar o avanço tecnológico da empresa chinesa. No entanto, o efeito prático foi outro. Forçada a desenvolver soluções próprias, a Huawei acelerou a construção de um ecossistema completo, independente do Ocidente — e agora começa a colher os resultados.
Com mais de 1,2 bilhão de dispositivos conectados rodando OpenHarmony, a empresa transformou seu sistema operacional e seus chips em um novo padrão tecnológico dentro da China, indo muito além dos smartphones.
Um ar-condicionado que revela uma estratégia maior
À primeira vista, o lançamento do Midea Air Horizon M5 parece apenas mais um produto doméstico. Porém, por dentro, ele revela algo muito maior: o avanço definitivo do ecossistema da Huawei.
O aparelho utiliza um chip de IA da HiSilicon e roda uma versão nativa do HarmonyOS, provando que grandes fabricantes chineses já confiam na base tecnológica criada pela Huawei. Esse movimento consolida uma plataforma que não depende de softwares, chips ou padrões ocidentais.

Chips próprios e inteligência artificial no centro do lar
A decisão da Huawei de investir em semicondutores próprios vai além de soberania tecnológica. No caso do ar-condicionado da Midea, o chip da HiSilicon aumenta o poder de cálculo em até 700%, com tempo de resposta de apenas 3 milissegundos.
Essa capacidade existe para cumprir a estratégia 1 + 8 + N, onde o smartphone é o centro de controle de todo o ecossistema: TVs, eletrodomésticos, wearables, veículos e dispositivos IoT. A mesma lógica já havia sido aplicada nas Smart TVs da marca e agora se expande para o lar conectado como um todo.
OpenHarmony e a força dos 1,2 bilhão de dispositivos
Segundo relatórios governamentais chineses, o OpenHarmony já opera em mais de 1,2 bilhão de dispositivos. A maioria deles não são smartphones, mas sim:
- Medidores inteligentes
- Eletrodomésticos
- Sistemas industriais
- Infraestrutura urbana
Ao atingir essa escala, a Huawei transformou seu código no verdadeiro sistema nervoso da tecnologia chinesa. Desenvolvedores e fabricantes que desejam relevância no mercado local acabam, inevitavelmente, passando por esse ecossistema.

Por que o OpenHarmony ganhou adesão tão rápida
O ponto-chave dessa consolidação foi uma decisão estratégica: abrir mão do controle total. Ao doar o código-base para a fundação OpenAtom, a Huawei transformou o HarmonyOS em um padrão neutro e de código aberto.
Isso permitiu que empresas como a Midea adotassem o sistema sem riscos diretos relacionados às sanções dos EUA. O modelo funcionou tão bem que, em março de 2025, mais de 1.000 produtos já haviam sido certificados com o OpenHarmony — inclusive fora da China, como na Coreia do Sul.
Leia também: Entenda como o HarmonyOS funciona
O último passo: conquistar o desktop
Para fechar o ciclo da independência tecnológica, faltava apenas o desktop. Em 2024, a Huawei apresentou o HarmonyOS PC, reconstruído desde o kernel para competir diretamente com Windows e macOS no mercado chinês.
Com mais de 2.000 aplicativos universais, suporte a periféricos e integração total com o ecossistema existente, a empresa eliminou mais uma dependência crítica. Hoje, o HarmonyOS já cobre:
- Smartphones e tablets
- Smartwatches
- Computadores
- Veículos elétricos
- Smart TVs
- Dispositivos domésticos e industriais
Conclusão: um ecossistema fechado, resiliente e estratégico
A Huawei conseguiu algo raro: transformar sanções em catalisador de inovação. Ao controlar chips, sistema operacional e protocolos de comunicação, a empresa criou um ecossistema robusto o suficiente para resistir a bloqueios comerciais futuros.
Mesmo que padrões globais sejam restringidos, dispositivos como o ar-condicionado da Midea continuarão funcionando dentro do “jardim murado” da Huawei. Um refúgio tecnológico que vai do bolso do usuário até a parede da sala — e que redefine o equilíbrio de poder na indústria global de tecnologia.
Leia também: O que é um sistema operacional? Veja tipos, funções e exemplos
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